O Brasil está ampliando sua infraestrutura de computação de alto desempenho para acompanhar o avanço da inteligência artificial. Entre as iniciativas previstas pelo governo federal está um novo supercomputador que poderá aumentar significativamente a capacidade nacional de processamento.
O projeto faz parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O plano prevê investimentos de até R$ 23 bilhões entre 2024 e 2028 e inclui ações voltadas à infraestrutura, pesquisa, formação profissional e desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial.
Equipamento poderá chegar a 1 exaflop
Em maio de 2026, o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, órgão vinculado ao MCTI, informou que um novo datacenter de Computação de Alto Desempenho poderá ser instalado ainda este ano.
Segundo o órgão, o supercomputador previsto terá capacidade de processamento de 1 exaflop e custo estimado em R$ 1,8 bilhão. A expectativa apresentada pelo CTI Renato Archer é que a estrutura contribua para colocar o Brasil entre os países com maior capacidade computacional até 2028.
A capacidade de processamento é importante porque sistemas modernos de inteligência artificial dependem de grandes volumes de cálculos para treinamento de modelos, análise de dados e execução de aplicações complexas.
O que o Brasil já possui
A expansão da infraestrutura não começa do zero.
O Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), instituição vinculada ao MCTI, mantém o supercomputador Santos Dumont e integra o Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho (SINAPAD).
Em julho de 2026, o LNCC informou que o Brasil contava com dez supercomputadores presentes na lista TOP500. O órgão também destacou que o crescimento do uso de inteligência artificial elevou a importância da computação de alto desempenho para a ciência, a economia e o desenvolvimento tecnológico.
O próprio LNCC mantém dados públicos relacionados aos projetos executados no Santos Dumont, incluindo informações sobre projetos ativos e produção intelectual associada ao equipamento.
Por que essa infraestrutura é importante
Supercomputadores não servem apenas para inteligência artificial.
Eles podem ser utilizados em pesquisas científicas, simulações matemáticas, análise de grandes conjuntos de dados e estudos que exigem enorme capacidade computacional.
No caso da inteligência artificial, uma infraestrutura nacional mais robusta também pode ampliar a capacidade de universidades, centros de pesquisa e instituições públicas desenvolverem e testarem seus próprios modelos e aplicações.
O PBIA estabelece justamente essa combinação entre infraestrutura, pesquisa e formação profissional. Entre suas metas está a atualização da capacidade brasileira de computação de alto desempenho para colocar o país entre os cinco maiores do mundo nessa área.
A infraestrutura é apenas uma parte da corrida
Ter máquinas mais poderosas não significa, por si só, que o país terá uma inteligência artificial competitiva.
Também são necessários pesquisadores, engenheiros, dados de qualidade, softwares, energia, centros de processamento e profissionais capazes de desenvolver e utilizar essas tecnologias.
Essa formação também está sendo contemplada pelo governo. Em junho de 2026, o MCTI anunciou o programa Residência em TICs – Trilhas IA, com R$ 129 milhões destinados à qualificação de profissionais. A iniciativa prevê a formação de 1,8 mil desenvolvedores de IA e a capacitação de outros 4 mil usuários de ferramentas de inteligência artificial.
Brasil tenta transformar infraestrutura em capacidade tecnológica
A estratégia brasileira combina investimentos em computação de alto desempenho, pesquisa e formação de profissionais.
O desafio agora é transformar essa infraestrutura em resultados concretos: novos estudos científicos, soluções tecnológicas, aplicações de inteligência artificial e conhecimento produzido dentro do próprio país.
A corrida pela inteligência artificial não depende somente de quem possui os modelos mais conhecidos. A capacidade de processar dados, realizar pesquisas e desenvolver tecnologia também se tornou parte importante da disputa.
Disciplina: Tecnologia
Data: 21 de
agosto de 2026
Fontes institucionais: Ministério da
Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Laboratório Nacional de Computação
Científica (LNCC) e Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI
Renato Archer).

