Redução da fome: avanços e desafios

JHONATA TORRES DOS REIS
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°Sociedade

Relatórios internacionais e dados oficiais recentes mostram queda mensurável na prevalência de fome no último ciclo, mas os ganhos são desiguais e condicionados a políticas públicas estáveis. Em 2024 o relatório global indicou redução relativa no número absoluto de pessoas subnutridas, e no Brasil houve recuo nos indicadores de insegurança alimentar, ainda que milhões de domicílios mantenham restrições severas ao acesso regular a alimentos nutritivos. Este texto analisa os fatores por trás dos avanços, as contradições regionais e as medidas necessárias para consolidar resultados.

Dados oficiais recentes apontam redução na proporção de domicílios com insegurança alimentar total, reflexo de combinação entre políticas de transferência de renda, ações de compra pública e recuperação do emprego formal. Estudos apontam que a queda não ocorreu de forma homogênea: regiões Norte e Nordeste seguem com indicadores superiores à média nacional, enquanto o Sul e parte do Sudeste mostram níveis substancialmente menores. A persistência de bolsões de privação alimentar em áreas metropolitanas e no interior revela lacunas logísticas e estruturais.

As causas são multifatoriais: conjuntura econômica, preços dos alimentos, desemprego, erosão da renda real e impactos climáticos sobre a produção. A retomada de programas de compra institucional (ex.: PAA) e o fortalecimento de sistemas locais de abastecimento favoreceram pequenos produtores e reduziram perdas pós-colheita, contribuindo para oferta de alimentos em mercados próximos às comunidades vulneráveis. Contudo, o custo de uma dieta saudável permanece elevado para parcelas significativas da população, limitando a capacidade de consumo regular e balanceado.

Diagnóstico regional e socioeconômico

O mapeamento por região indica concentração da insegurança em estados com menor infraestrutura de armazenagem, alto índice de informalidade no mercado de trabalho e maior exposição a eventos climáticos extremos. No plano municipal, as diferenças entre municípios com políticas públicas proativas (programas escolares, bancos de alimentos, logística local) e aqueles sem esses instrumentos são pronunciadas. A segurança alimentar urbana surge, assim, como foco estratégico: cozinhas comunitárias, merenda fortalecida e mercados abastecidos por produção familiar diminuem vulnerabilidades.

Adicionalmente, condição de renda e gênero entrelaçam-se: mulheres chefes de família, com jornada dupla e menor acesso a emprego formal, apresentam maior risco de insegurança alimentar, o que exige resposta de políticas com recorte de gênero e ações específicas de suporte à economia doméstica.

Medidas eficazes e recomendações

As evidências sugerem que políticas integradas são mais eficazes: transferência de renda com condicionantes de acesso à educação e saúde, compra institucional para canalizar excedentes da agricultura familiar às redes públicas de alimentação, investimentos em armazenagem regional e mecanismos de proteção contra choques climáticos. A coordenação entre esferas federativa e municipal é essencial para adaptar ações às especificidades locais e reduzir desigualdades. Investir em cadeias curtas de comercialização reduz perdas e aumenta renda dos produtores, ampliando o abastecimento de alimentos frescos nas cidades.

Além disso, recomenda-se priorizar: (1) fortalecimento do Sisan e participação de conselhos locais; (2) expansão de programas de merenda escolar com compra local; (3) financiamento de infraestrutura de armazenagem em regiões vulneráveis; (4) programas de capacitação técnica para agricultores familiares; (5) monitoramento contínuo com dados desagregados por renda, raça, gênero e território para políticas direcionadas.

  • Proteção social — Manter e aprimorar transferências de renda e políticas de proteção ante choques econômicos.
  • Produção local — Incentivar PAA, cooperativas e comercialização local para reduzir intermediários e perdas.
  • Resiliência climática — Investir em tecnologias de conservação de água, armazenamento e assistência técnica.
“A redução da fome é possível, mas sua consolidação exige políticas duradouras, focalizadas e interoperáveis entre esferas de governo.”
— Jhonata

Fontes: Relatórios FAO/ONU; IBGE (PNAD e estudos de segurança alimentar); IPEA; Ministério da Cidadania; estudos acadêmicos sobre agricultura familiar e PAA (dados até 09/01/2026).

Conclusão

Os avanços registrados até janeiro de 2026 mostram trajetória positiva, porém condicional. Sem manutenção de investimentos, proteção social e adaptação às mudanças climáticas, há risco de retrocessos. A agenda de curto prazo deve combinar medidas de garantia de renda com fortalecimento da produção local e expansão de infraestrutura para transformar ganhos temporários em progresso estruturado e sustentável.

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